A Bionatus Laboratório Botânico Ltda., de São José do Rio Preto (SP), uma das maiores fabricantes de fitoterápicos do País, já usa sacolas plásticas oxibiodegradáveis há dois anos e, a partir deste mês, passa a usar as caixinhas dos remédios com papelão reciclado ou feito a partir de árvores de florestas de manejo sustentado, com selo do FSC (Forest Stewardship Council). O selo é fornecido pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, uma organização não-governamental que representa o FSC no Brasil.
Segundo Fernando Rossini, diretor de novos negócios da Bionatus, a empresa usa, mensalmente, 200 mil caixinhas de remédios com papelão certificado e 1 milhão de sacolas plásticas oxibiodegradáveis, que são distribuídas em 12 mil pontos-de-venda em todo o País. Além disso, todo material gráfico, como cartões de apresentação, papéis timbrados e folhetos promocionais, está sendo feito, a partir deste mês, com papel reciclado.
"Achamos que cada empresa deveria contribuir para a não-degradação do meio ambiente. Por outro lado, há a tendência de o consumidor reconhecer isso", diz Rossini. Segundo ele, faz parte da política de longo prazo da Bionatus usar produtos biodegradáveis e recicláveis. E isso não necessariamente custa mais à empresa.
As 200 mil caixinhas usadas mensalmente pela Bionatus - confeccionadas pela Reginus, de São Paulo, com papelão fornecido pela Klabin - custam R$ 30 mil por mês. "Não há diferença de preço em relação às embalagens tradicionais", informa Rossini.
Quanto ao 1 milhão de sacolas plásticas oxibiodegradáveis, o custo, de R$ 20 mil por mês, é apenas 2,5% maior do que as sacolas plásticas comuns. As sacolas são produzidas pela Fabriplás, de Ribeirão Preto, com um aditivo (que confere às embalagens as características de oxibiodegradabilidade) fornecido pela RES Brasil, de Campinas (SP).
"Na verdade, as sacolas oxibiodegradáveis custam até 10% mais do que as convencionais. Mas, dependendo do volume contratado e do valor agregado da embalagem, pode não haver diferença de preços", diz Eduardo Van Roost, diretor-superintendente da RES Brasil, representante exclusiva no País da inglesa d2w, marca do aditivo.
Segundo Van Roost, para tornar a sacola degradável basta incorporar ao processo de produção 1% de aditivo, um sal metálico de transição. O oxigênio do ar, a luz, o calor e o estresse (manipulação) contribuem para a decomposição da sacola. Dependendo das condições, o período pode variar de alguns meses a mais de um ano, bem menos do que os mais de 100 anos da sacola plástica convencional.
Fundada em 1992, a Bionatus produz mais de 70 itens, incluindo fitoterápicos, fitocosméticos, suplementos alimentares e produtos à base de mel e derivados. No primeiro semestre deste ano, aumentou em 25% o faturamento, segundo o diretor de novos negócios, Fernando Rossini, que não divulga os números do balanço da empresa. Parte do crescimento deve-se a acordos de produção e comercialização realizados recentemente.
No ano passado a Bionatus recebeu o certificado de qualificação da SGS do Brasil Ltda., requerido pela Avon para que os produtos façam parte do catálogo da empresa de cosméticos. O acordo com a Avon representa 12% da receita da Bionatus. Outros 22% do faturamento do laboratório vêm da produção para terceiros, como o emagrecedor Redusim, para a rede Ultrafarma.
kicker: Um milhão de sacolas plásticas oxibiodegradáveis são distribuídas em 12 mil pontos-de-venda em todo o País (Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 11)(Edson Álvares da Costa)